A inflação persistente e os salários estagnados estão prejudicando as finanças dos trabalhadores norte-americanos. Essa pressão financeira tem levado os consumidores às redes de varejo de desconto, impulsionando a prosperidade dessas lojas.
Isso certamente se aplica às duas maiores redes de varejo de desconto dos Estados Unidos: a líder Dollar General (NYSE: DG) e a Dollar Tree (NASDAQ: DLTR).
A Dollar General registrou um aumento de 5,2% na receita do segundo trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a receita da Dollar Tree cresceu 7%. A margem de lucro ajustada da Dollar General saltou 50 pontos-base, atingindo 31,8%, e a da Dollar Tree subiu 170 pontos-base, chegando a 36,1%.
Embora atuem no mesmo setor, as duas companhias possuem modelos de negócios bem diferentes. A Dollar General opera como um minimercado tradicional, com uma grande variedade de produtos e preços diversos. Já a Dollar Tree trabalha com faixas de preços fixos e baixos, variando de US$ 1,25 a US$ 7.
A Dollar General possui mais de 21 mil lojas, e cerca de 80% delas estão localizadas em cidades com menos de 20 mil habitantes, que frequentemente não contam com supermercados ou grandes varejistas em um raio de 15 milhas (24 quilômetros). Em contrapartida, a Dollar Tree possui mais de 9.400 unidades, com mais de 85% delas situadas em áreas urbanas e bairros populosos.
Produtos diferentes e forte presença de marcas próprias
A Dollar General oferece alimentos de marcas famosas, itens domésticos essenciais e produtos de limpeza. A Dollar Tree, por sua vez, foca em artigos para festas, decorações sazonais, artesanato e novidades em geral.
Na Dollar General, os bens de consumo (produtos de giro rápido) representam 82% das vendas, os itens sazonais respondem por 10%, os produtos para o lar por 5% e o vestuário por 3%. Mais de 20% das vendas vêm de produtos de marca própria, que possuem margens de lucro de 25% a 30% maiores do que as marcas tradicionais, observa o analista da gestora Morningstar, Brett Husslein.
Na Dollar Tree, os bens de consumo representam 49% das vendas, seguidos por mercadorias variadas (produtos em geral) com 45% e itens sazonais com 6%. A empresa tem um foco ainda maior em marcas próprias do que a Dollar General, com esses produtos respondendo por quase um terço das vendas totais.
Husslein prefere a Dollar General em comparação à sua concorrente menor. Ele afirma que a empresa se beneficia, sobretudo, da localização estratégica de suas lojas.
“A densa rede de lojas em cidades pequenas, onde aproximadamente 75% dos norte-americanos vivem a menos de 5 milhas [8 quilômetros] de uma Dollar General, consolidou a empresa como um destino de compras confiável para milhões de famílias de baixa renda”, argumenta Husslein.
“Essa vantagem da proximidade incentiva idas frequentes às compras, com objetivos específicos e grande familiaridade por parte do cliente. Isso, por sua vez, apoia a eficiência logística da empresa e reforça sua liderança em manter os custos baixos.”
A Dollar General descobriu a fórmula do sucesso para o seu nicho de mercado. “Ela aproveitou a combinação de presença física e escala operacional para reduzir os custos por unidade e repassar essa economia para os clientes que buscam preços baixos, mesmo atuando em mercados com estruturas mais desafiadoras e caras de atender. Estamos falando de regiões de baixa renda, com baixa densidade populacional e cidades pequenas do interior dos Estados Unidos.”
O sucesso da Dollar Tree depende de sua execução
A força da Dollar Tree vem de outro fator. Segundo Husslein, o destaque da rede está na “eficiência impulsionada pela boa execução e pela disciplina na venda dos produtos, e não em vantagens estruturais, como escala, poder de compra ou isolamento geográfico, que sustentam concorrentes com vantagens competitivas, como a Dollar General.”
As lojas da Dollar Tree costumam ficar perto de grandes concorrentes, como o Walmart (NYSE: WMT) e a rede alemã Aldi. A empresa também enfrenta uma forte disputa com novas lojas virtuais, como a Temu, da chinesa PDD Holdings (NASDAQ: PDD), e a Shein, de Singapura.
Sem dúvida, a Dollar Tree é bem administrada, destaca o analista. “Seu formato compacto, estrutura de custos eficiente e grande apelo popular devem continuar garantindo a melhora em sua lucratividade.” O ponto negativo, no entanto, é que “essas características são fáceis de serem copiadas”.
As ações de ambas as companhias subiram no último ano, embora tenham ficado atrás do índice S&P 500. A Dollar General avançou 13,7%, enquanto a Dollar Tree teve alta de 12,4%.
Com muitos consumidores ainda enfrentando dificuldades financeiras, é provável que continuem fazendo suas compras nessas duas gigantes do varejo de desconto.
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