Equipamentos de água da Xylem em alta demanda

Ellen Chang Analista de Notícias do Mercado

O setor de saneamento e recursos hídricos enfrenta uma demanda crescente, uma vez que a infraestrutura envelhecida precisa ser substituída e a construção de centros de dados exige a maximização do uso da água. Esse cenário traz vantagens para empresas como a Xylem (NYSE: XYL).

Além disso, o setor exige investimentos cruciais, pois os equipamentos de uso industrial e comercial estão obsoletos, o que representa uma excelente oportunidade para a empresa.

Em 2025, as 15 maiores empresas privadas de saneamento sob regulação investiram quase US$ 6,8 bilhões na modernização da infraestrutura, de acordo com a Associação Nacional de Empresas de Água dos EUA. Além disso, a Agência de Proteção Ambiental americana informou que o país precisará investir mais US$ 1,26 trilhão na rede de água e esgoto ao longo dos próximos 20 anos, o equivalente a cerca de US$ 63 bilhões anuais.

Pedidos de equipamentos aumentam em dois dígitos

Como uma grande companhia global de tecnologia hídrica, o portfólio de equipamentos e serviços da Xylem é vasto. A oferta inclui o tratamento e a análise de água para concessionárias de serviços públicos e para clientes comerciais, industriais e residenciais. A empresa atua em quatro divisões de negócios: infraestrutura hídrica, água aplicada, soluções de medição e controle, e soluções e serviços hídricos.

A Xylem gerou US$ 9 bilhões em receita em 2025 e atua em mais de 150 países, contando com 22.000 funcionários. No mesmo ano, 58% da receita total da companhia veio de vendas no mercado americano e 42% de clientes estrangeiros. A empresa projeta manter um perfil de faturamento semelhante no futuro, segundo o seu relatório anual. A Xylem também possui 400 escritórios, fábricas e centros de distribuição espalhados por mais de 50 países.

A companhia possui unidades de produção na Europa, América do Norte, América Latina, Ásia e no Oriente Médio. Nesta última região, a empresa mantém quatro filiais nos Emirados Árabes Unidos, uma fábrica na Arábia Saudita e outra no Catar, conforme aponta o documento.

Durante o segundo trimestre, a Xylem relatou um aumento de 2% na receita, atingindo US$ 2,3 bilhões, enquanto o volume de pedidos disparou 42% em valores reportados, alcançando US$ 3,1 bilhões. O lucro líquido chegou a US$ 263 milhões e a sua margem avançou 1,5 ponto percentual, fechando em 11,3%, impulsionada por um melhor desempenho operacional e pela redução de custos com reestruturação. A empresa também já havia superado as projeções de Wall Street no primeiro trimestre.

A diretoria atualizou a sua projeção de receita para 2026, fixando-a em US$ 9,2 bilhões. Isso representa um aumento de 2% em valores divulgados (frente à estimativa anterior de 2% a 3%) e um crescimento orgânico entre 2% e 3% (ante a previsão anterior de 2% a 4%). A revisão ocorreu devido aos obstáculos gerados por atrasos nos projetos de medição de energia, pertencentes à divisão de soluções de medição e controle.

“Estamos otimistas quanto às perspectivas de longo prazo, pois acreditamos que a Xylem está preparada para aproveitar o crescimento nos mercados finais de ciências biológicas, alimentos e bebidas, geração de energia, mineração e semicondutores”, escreveu Krzysztof Smalec, analista de ações da corretora Morningstar.

Os pedidos orgânicos da Xylem saltaram 41% na comparação anual, incluindo um crescimento de mais de 300% nas encomendas voltadas para centros de dados.

A demanda vinda dos setores de fabricação de semicondutores, mineração e geração de energia aumentou devido à necessidade de mais infraestrutura para IA, explicou o CEO Matthew Pine.

“Os motores de demanda do nosso negócio continuam a se fortalecer”, afirmou Pine, destacando que um número crescente de clientes industriais e concessionárias de serviços públicos está ampliando os seus orçamentos para investimentos.

As ações da empresa caíram 20% no último ano, mas o ritmo de queda desacelerou, registrando um recuo de 4,6% no último mês.

A disparada nos pedidos da Xylem inclui um contrato de 20 anos, no valor de US$ 850 milhões, para o tratamento de água de uma indústria química que não teve o nome revelado.

A capacidade da empresa de fornecer equipamentos e serviços para um grupo diversificado de clientes gera mais oportunidades de crescimento. Isso inclui não apenas concessionárias e centros de dados, mas também hospitais, indústrias farmacêuticas, de semicondutores e empresas de alimentos e bebidas, afirmou Deane Dray, analista do banco RBC, em artigo publicado pela revista Barron’s.

A expansão dos centros de dados e as secas contínuas nos EUA elevarão a necessidade por soluções para conservar e reciclar a água, acrescentou o analista. Ele classificou as ações da Xylem com um desempenho acima da média do mercado, estabelecendo um preço-alvo de US$ 157 por ação.

Os investidores podem esperar um crescimento nos lucros ao longo dos próximos anos devido aos mercados finais que a Xylem atende, avaliou Michael Halloran, analista da corretora Robert W. Baird, segundo a Barron’s.

“A Xylem é uma excelente opção de ação para um horizonte superior a dois anos”, declarou Halloran em abril. “Basta que o volume de pedidos comece a andar. A partir de três a seis meses é quando o negócio realmente vai engrenar.”

O crescimento da companhia foi prejudicado pela fraqueza nos setores de construção residencial e comercial, além do ritmo mais lento de novos projetos por parte de algumas concessionárias públicas. Contudo, a Xylem tem potencial para atrair um interesse muito maior de empresas que constroem centros de dados e outros empreendimentos industriais.

Aquisições fortalecem o portfólio de produtos

Nos últimos anos, a Xylem adquiriu diversas companhias para expandir a variedade de soluções oferecidas aos seus clientes, os quais costumam assinar contratos de longo prazo (de 15 a 20 anos).

Em 2026, a empresa desembolsou US$ 1,46 bilhão na compra das marcas Cornell Pump e Roper Pump, pertencentes à Indicor. O objetivo foi ampliar a fatia de mercado da Xylem em aplicações industriais e municipais para clientes que necessitam de soluções avançadas de bombeamento, como os setores de agricultura, construção, mineração, energia e indústrias de alimentos e bebidas.

Além disso, em 2023, a companhia já havia adquirido a Evoqua Water Technologies (empresa de serviços e tratamento de água) por US$ 7,5 bilhões.

“Após as diversas compras estratégicas feitas pela Xylem, incluindo a Sensus em 2016, acreditamos que a empresa é capaz de oferecer às concessionárias um portfólio completo de soluções voltadas ao problema da água não faturada”, escreveu Smalec. O pacote inclui bombas, sensores, medidores inteligentes e sistemas de detecção de vazamentos, além de uma plataforma de gestão para monitorar e analisar os dados de todos esses equipamentos. “Acreditamos que a capacidade de vender esses produtos de forma integrada tornará a Xylem uma solução completa no setor.”

A Xylem provavelmente continuará em trajetória de crescimento, impulsionada pela necessidade de modernização das redes hídricas antigas, pela contínua construção de centros de dados voltados à inteligência artificial e pela escassez de água, que exige soluções cada vez mais eficientes.

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