A Victoria’s Secret (NYSE: VSXY), tradicional varejista de roupas íntimas femininas, deixou para trás as dificuldades dos últimos anos ao voltar a adotar uma imagem sensual.
A empresa chegou a mudar o seu código de negociação na bolsa de valores para refletir essa identidade. Em junho, os papéis passaram da sigla VSCO para VSXY. “Ser sexy sempre fez parte da nossa essência”, disse a CEO Hillary Super. “O que mudou é a forma intencional com que estamos assumindo isso.” A companhia está priorizando o crescimento nas linhas de sutiãs e roupas íntimas, além da Pink, sua marca voltada ao público adolescente.
Por volta de 2018, a companhia começou a ser alvo de fortes críticas devido à sua imagem retocada de perfeição feminina, focada em mulheres magras e com curvas acentuadas. A preferência dos consumidores havia mudado em direção à aceitação do próprio corpo, à inclusão e ao conforto. A empresa, no entanto, não acompanhou essa transição.
Após a prisão do agressor sexual Jeffrey Epstein, em 2019, ficou claro que ele mantinha laços estreitos com Leslie Wexner, CEO da L Brands, que na época era a proprietária da Victoria’s Secret. Além disso, Epstein supostamente afirmava ser um recrutador da marca.
O famoso desfile de moda transmitido pela televisão saiu do ar em 2019, e a marca foi separada da L Brands, tornando-se uma empresa independente em 2021. As ações despencaram 76% entre agosto de 2021 e julho de 2025. No entanto, Super, que assumiu o comando em agosto de 2024, promoveu uma grande reviravolta. O valor das ações da Victoria’s Secret triplicou no último ano.
A ex-CEO da marca Anthropologie retomou os desfiles de moda e liderou a criação de uma forte presença no aplicativo TikTok. Além disso, há um foco renovado no apelo sensual. “Acredito que a nova gestão tem se concentrado de forma quase obsessiva em aprimorar a narrativa e resgatar o que tornava a Victoria’s Secret atraente”, afirmou o analista da Guggenheim, Simeon Siegel, à revista Barron’s.
Resultados expressivos
Os resultados refletem essa mudança. A receita da Victoria’s Secret subiu 10% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os sutiãs impulsionaram esse avanço, com um crescimento nas vendas na faixa dos 10% a 19%, segundo a empresa. Embora a companhia não divulgue os números exatos desse segmento, os sutiãs representam a maior parte do faturamento e lideram a categoria em nível global.
Ainda no segundo trimestre, o lucro líquido saltou de US$ 16 milhões para US$ 183 milhões. Além disso, a Victoria’s Secret aumentou as suas projeções de vendas e de lucro operacional ajustado para o ano de 2026.
No entanto, alguns investidores e analistas argumentaram que esses números não foram suficientes. Eles observaram que o aumento de 10% nas vendas líquidas do segundo trimestre representa uma desaceleração em relação à alta de 15% registrada no primeiro trimestre. Além disso, o crescimento de 9% nas vendas de mesmas lojas no segundo trimestre, na comparação anual, ficou abaixo do ganho de 13% obtido no trimestre anterior.
Diante disso, alguns operadores de mercado e investidores avaliaram que era o momento de vender. As ações despencaram 13% na última quinta-feira, dia da divulgação do balanço do segundo trimestre. Mesmo assim, os papéis permaneceram com uma valorização superior a 200% em relação ao nível registrado um ano antes.
A reação dos investidores ao balanço “foi moldada mais pelas expectativas do que pelos números divulgados de fato”, avaliou Siegel.
Independentemente das perspectivas para as ações, a empresa em si demonstra estar em excelente forma.
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